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Para que serve o FUSPOM, se quando o policial precisa não funciona?

18 de abril de 2019AssinapASSINAP

A PMERJ precisa se reformular urgentemente. É inaceitável a forma como a Polícia e o Estado tratam seus agentes da segurança.

Dessa vez, falamos do caso do senhor Robson, policial que veio a desenvolver Mal de Parkinson, mas não consegue tratamento pelo Hospital da PM nem nos hospitais do Estado. Perguntamos: para que serve então o FUSPOM? Pra quem não sabe, o FUSPOM é Fundo de Saúde da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, descontado mensalmente no contracheque de todo policial para que possa ser atendido nos hospitais e clínicas da Corporação. O que já é um absurso, pois como servidor público o policial não teria que descontar nada mais para poder usar o serviço médico da PMERJ. Porém, o grande problema é que o FUSPOM não cumpre o que promete.

São inúmeras as queixas: filas imensas, ausência de medicos, leitos insuficientes, falta de equipamentos e materiais básicos. Além disso, a toda hora aparecem denúncias de fraudes e desvios de verba. No início desse ano, oficiais foram condenados a prisão por desvio de quase R$ 2 milhões na compra de 18 mil testes de substratos fluorescentes pelo Hospital da Polícia Militar de Niterói. Há uma suspeita de desvio de mais de R$ 18 milhões do Fundo por parte de 11 oficiais que coordenam o sistema de saúde da PMERJ. Os oficiais réus são acusados de licitação fraudulenta e recebimento de propinas das empresas que contratavam.

Tudo isso causa uma imensa indignação na população e, principalmente, nos integrantes da própria corporação, tendo em vista que recursos financeiros foram desviados em detrimento de assistência dos usuários do Fuspom, sendo os recursos dos próprios beneficiários. O que vem acontecendo com o policial Robson e sua família é mais uma covardia por parte do Estado e da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Chega a ser imoral. O policial deveria receber toda ajuda necessária sem precisar ir à Justiça. Mas além do ir à Justiça e ganhar a causa, ainda tem que ver o Estado tentar por todas as vias levar o processo a frente para não cumprir o que deve.

Se fosse uma organização que se preocupasse de fato com seus agentes, a PMERJ teria uma equipe de assistentes sociais para avaliar as necessidades do policial e buscar soluções. Mas vejam bem o que acontece na realidade. Ajudar o policial adoentado que já deu sua contribuição, o estado não ajuda. Mas aí se morre um policial em serviço, todos aparecem para sair na fotografia. Bando de hipócritas.

Miguel Cordeiro – Presidente da ASSINAP e do Sind-Rep

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