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Delação põe mais um oficial da polícia do Rio na mira da ‘Lava Jato da PM’

6 de maio de 2016AssinapASSINAP
As sucessivas fases da operação Lava Jato, em Curitiba, estão servindo de inspiração para que promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e agentes da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança do Rio (Ssinte) aprofundem as investigações sobre fraudes no Fundo de Saúde da PM (Fuspom). Batizada de Carcinoma, a operação já teve duas fases, que terminaram com 30 pessoas denunciadas — sendo nove oficiais da PM — nos últimos três meses. No entanto, as investigações, assim como as de PF, ainda estão longe do fim: delações premiadas e escutas feitas nos últimos dois meses puseram mais um oficial da PM mira dos investigadores.
No relatório da Ssinte que relata detalhes do acordo feito entre promotores do Gaeco e o empresário Tiago Medeiros Cunha, denunciado na primeira fase da investigação. O documento revela que Tiago contou aos agentes que sua empresa, a M&C Comércio e Soluções de Equipamentos Ltda, com sede em Brasília, foi usada como fachada para desviar R$ 560 mil do Fuspom. A partir de seu relato, foram presos, na segunda fase das investigações, dois empresários e uma capitã.
Para sacramentar o acordo, Tiago entregou ao Gaeco gravações feitas por ele em encontros com outros réus. Esses arquivos de áudio jogaram luz sobre um oficial até então desconhecido para os investigadores: o major Fabio dos Reis Silva, lotado até o último dia 17 na Diretoria Geral de Administração e Finanças (DGAF). Segundo o relatório da Ssinte, uma das conversas revela que Reis participou de “uma reunião na Kopenhagen”, uma cafeteria próxima ao QG da PM, no Centro do Rio, onde foram definidos “o valor da propina” a ser paga pelos empresários e “como seria feito o procedimento”.

 

Major foi transferido para a ‘geladeira’ da PM
De acordo com o relatório da Ssinte, existem “fortes indícios” da participação do major Reis — que ainda não foi denunciado — “nos crimes de fraude ao procedimento licitatório, corrupção ativa e passiva, peculato e organização criminosa”. Uma semana depois da deflagração da operação motivada pela delação de Tiago, no dia 11 de março, o major Reis foi transferido da Diretoria de Orçamento, onde estava lotado desde 2010, para a Diretoria Geral de Pessoal, a “geladeira” da PM.
As escutas em que o nome do oficial é citado servirão de base para as próximas fases da investigação. Nos diálogos gravados, Rogério Colaço, um dos empresários presos na operação acusados do pagamento de propina a PMs, afirma que os majores Reis e Delvo Nicodemos Noronha Junior — denunciado e preso na primeira fase das investigações, em dezembro — acertaram o valor de propina em “10% do total do contrato, sendo 1% em adiantamento para que as notas fossem falsamente atestadas”. O contrato assinado com a M&C previa o fornecimento de 200 aparelhos de ar-condicionado. Só 27 foram, de fato, entregues e, mesmo assim, só seis tinham a capacidade prevista no acordo.
Em seguida, na gravação, feita de forma escondida, Colaço afirma que Delvo o informou que a propina seria dividida entre “uma turma de majores”. De acordo com o relatório, após a reunião na Kopenhagen, Reis teria “saído do circuito”.
Em seu depoimento, Tiago Cunha afirmou que sua empresa, a M&C, foi convidada a entrar no esquema porque já tinha um contrato em vigor com o Batalhão da Guarda Presidencial. Assim, Tiago “emprestou” a ata de registro de preços usada nesse contrato para que a PM pudesse pegar “carona”, sem fazer licitação. A maior parte das compras fraudulentas foi feita dessa maneira.
Tiago afirma que foi convidado a participar do esquema pelos irmãos e empresários Rogério e Fernando Colaço, do Rio. De acordo com as investigações, do total do contrato, R$ 75 mil ficaram com Tiago e R$ 345 mil, com os irmãos.
Segundo o Gaeco, os dois irmãos, presos desde o último dia 11, também foram responsáveis por intermediar o contato com a SK Refrigeração, que entregaria parte dos aparelhos acordada no contrato. A M&C nunca forneceu nada à PM.
Procurada, a PM informou que “vem apurando com rigor todas as irregularidades denunciadas e continuará apoiando o Gaeco”.

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