As sucessivas fases da operação Lava Jato, em Curitiba, estão servindo de inspiração para que promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e agentes da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança do Rio (Ssinte) aprofundem as investigações sobre fraudes no Fundo de Saúde da PM (Fuspom). Batizada de Carcinoma, a operação já teve duas fases, que terminaram com 30 pessoas denunciadas — sendo nove oficiais da PM — nos últimos três meses. No entanto, as investigações, assim como as de PF, ainda estão longe do fim: delações premiadas e escutas feitas nos últimos dois meses puseram mais um oficial da PM mira dos investigadores.
No relatório da Ssinte que relata detalhes do acordo feito entre promotores do Gaeco e o empresário Tiago Medeiros Cunha, denunciado na primeira fase da investigação. O documento revela que Tiago contou aos agentes que sua empresa, a M&C Comércio e Soluções de Equipamentos Ltda, com sede em Brasília, foi usada como fachada para desviar R$ 560 mil do Fuspom. A partir de seu relato, foram presos, na segunda fase das investigações, dois empresários e uma capitã.
Para sacramentar o acordo, Tiago entregou ao Gaeco gravações feitas por ele em encontros com outros réus. Esses arquivos de áudio jogaram luz sobre um oficial até então desconhecido para os investigadores: o major Fabio dos Reis Silva, lotado até o último dia 17 na Diretoria Geral de Administração e Finanças (DGAF). Segundo o relatório da Ssinte, uma das conversas revela que Reis participou de “uma reunião na Kopenhagen”, uma cafeteria próxima ao QG da PM, no Centro do Rio, onde foram definidos “o valor da propina” a ser paga pelos empresários e “como seria feito o procedimento”.
